{"id":1680,"date":"2023-05-11T15:40:01","date_gmt":"2023-05-11T18:40:01","guid":{"rendered":"https:\/\/musashi.com.br\/jornal\/?p=1680"},"modified":"2023-05-11T17:21:43","modified_gmt":"2023-05-11T20:21:43","slug":"afinal-de-contas-gdt-por-que-o-que-e-essa-ferramenta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/musashi.com.br\/jornal\/afinal-de-contas-gdt-por-que-o-que-e-essa-ferramenta\/","title":{"rendered":"Afinal de contas, GD&#038;T, por qu\u00ea? O que \u00e9 essa ferramenta?"},"content":{"rendered":"<p>GD&amp;T, sigla em ingl\u00eas para <strong>Dimensionamento Geom\u00e9trico e Toler\u00e2ncia<\/strong>, \u00e9 uma linguagem de desenho que <strong>utiliza s\u00edmbolos geom\u00e9tricos para expressar os requisitos funcionais do produto em termos de projeto de pe\u00e7as<\/strong>, ou seja: o chamado desenho geom\u00e9trico \u00e9 um claro desdobramento dos requisitos de aplica\u00e7\u00e3o do produto a partir do projeto.<\/p>\n<p>O uso e aplica\u00e7\u00e3o do GD&amp;T de maneira mais sist\u00eamica aqui no Brasil, ainda permanecem restritos fundamentalmente \u00e0 cadeia automotiva, aeroespacial e ao setor industrial mec\u00e2nico. De qualquer maneira isso n\u00e3o pode ser desculpa para que os profissionais da \u00e1rea de engenharia n\u00e3o conhe\u00e7am o potencial dessa ferramenta de trabalho e n\u00e3o percebam o crescimento do uso dessa pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Ao ler um desenho baseado em GD&amp;T \u00e9 mandat\u00f3rio que consigamos entender boa parte das necessidades de aplica\u00e7\u00e3o funcionais do produto. \u00c9 exatamente por isso que surgiu essa forma de escrita diferenciada! O sistema t\u00edpico cartesiano n\u00e3o reflete completamente as necessidades de aplica\u00e7\u00e3o do produto a partir do projeto.<\/p>\n<p>Stanley Parker, engenheiro naval da marinha brit\u00e2nica durante a Segunda Guerra Mundial e reconhecido como criador do sistema de GD&amp;T, percebeu que conseguia montar pe\u00e7as reprovadas pela inspe\u00e7\u00e3o. No caso em que ele estava envolvido, ele percebeu que a inspe\u00e7\u00e3o estava sendo realizada exatamente conforme o desenho. O que estava errado era o conceito de pe\u00e7a boa e ruim pelo sistema tradicional cartesiano (CD&amp;T \u2013 Classical Dimensioning &amp; Tolerancing).<\/p>\n<p>De acordo com Parker, o sistema cartesiano deveria ter aplica\u00e7\u00e3o em somente um \u00fanico item: <strong>a toler\u00e2ncia em dimens\u00f5es nominais<\/strong>. Al\u00e9m disso, ele percebeu que as dimens\u00f5es nominais s\u00e3o incapazes de distinguir entre as caracter\u00edsticas de refer\u00eancia e recursos controlados, e pior ainda, s\u00e3o totalmente incapazes de definir sistemas de coordenadas.<\/p>\n<p>O CD&amp;T tamb\u00e9m gera um quadrado como forma da zona de toler\u00e2ncia gerando um erro conceitual com impacto em reprova\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as boas. Finalmente, ele percebeu que CD&amp;T n\u00e3o fornece nenhuma maneira de alterarmos as toler\u00e2ncias aplicadas \u00e0s caracter\u00edsticas em fun\u00e7\u00e3o da varia\u00e7\u00e3o do dimensional da pe\u00e7a.<\/p>\n<p>A reprova\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as boas \u00e9 uma consequ\u00eancia natural da aplica\u00e7\u00e3o do sistema cartesiano quando temos por objetivo controlar um aspecto geom\u00e9trico da pe\u00e7a. Na figura abaixo, podemos ver o exemplo do uso do sistema cartesiano para controlar a posi\u00e7\u00e3o real do centro do furo. Pela representa\u00e7\u00e3o descrita, o centro do furo pode estar contido dentro de um quadrado imagin\u00e1rio de 0,2 x 0,2.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1681 aligncenter\" src=\"https:\/\/musashi.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/gdet1.png\" alt=\"\" width=\"526\" height=\"254\" srcset=\"https:\/\/musashi.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/gdet1.png 526w, https:\/\/musashi.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/gdet1-300x145.png 300w\" sizes=\"(max-width: 526px) 100vw, 526px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando aprovamos um ponto exatamente na diagonal do quadrado n\u00f3s fazemos isso em uma condi\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica em dist\u00e2ncia do que um ponto imediatamente ap\u00f3s qualquer um dos lados do quadrado o qual reprovamos. Ou seja: reprovamos um ponto mais pr\u00f3ximo do centro real do que outro mais distante que aprovamos. Exatamente: dois pesos e duas medidas.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o trazida pelo GD&amp;T \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o da zona de toler\u00e2ncia cil\u00edndrica na qual aumentamos o campo de toler\u00e2ncia em 57%. As pe\u00e7as boas que eram reprovadas s\u00e3o os pontos na regi\u00e3o hachurada do c\u00edrculo circunscrito que antes eram descartados.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1682\" src=\"https:\/\/musashi.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/gdet2.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p>Retomando o t\u00edtulo deste artigo: GD&amp;T, por qu\u00ea? Resposta: utilizar o sistema cartesiano tradicional para controle geom\u00e9trico gera reprova\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as boas inevitavelmente. Al\u00e9m disso, o GD&amp;T \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o de desenho normalizado.<\/p>\n<p>Hoje a maioria das empresas que utilizam GD&amp;T se comprometeram a seguir a ASME Y14.5 ou o conjunto de normas ISO sobre GD&amp;T. A norma ASME Y14.5 emergiu como o padr\u00e3o preferido nos Estados Unidos e em v\u00e1rios outros pa\u00edses, principalmente devido \u00e0 sua estabilidade, a \u00eanfase na inten\u00e7\u00e3o do projeto, a defini\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica e a tradu\u00e7\u00e3o para v\u00e1rios idiomas. Atualmente a vers\u00e3o corrente \u00e9 a ASME Y14.5\u20102009.<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o que se tem \u00e9 o grande aumento do uso dessa ferramenta principalmente na cadeia de fornecimento do setor automobil\u00edstico e aeroespacial. Ainda h\u00e1 grandes defici\u00eancias com rela\u00e7\u00e3o ao conhecimento profundo para desenvolvimento de projetos e principalmente em interpreta\u00e7\u00e3o e desdobramento de controles no processo. Sendo uma ferramenta que \u00e9 aprendida muitas vezes pelo sistema do telefone sem fio (ao ler o manual de refer\u00eancia todo mundo acha que entende, mas na pr\u00e1tica poucas pessoas conseguem aplicar na profundidade devida \u2010 vide o FMEA 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o). N\u00e3o ser\u00e1 surpreendente que em breve ela apare\u00e7a como o requisito espec\u00edfico de alguma montadora para minimizar a falta de padroniza\u00e7\u00e3o e os desvios com rela\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 realmente correto. Afinal de contas, qual a diferen\u00e7a entre se medir um batimento axial simples ou a retilinidade aplicada ao eixo de um di\u00e2metro?<\/p>\n<p>O fato final \u00e9 bastante simples: GD&amp;T \u00e9 necess\u00e1rio porque \u00e9 a forma mais correta e padronizada de se representar e controlar as caracter\u00edsticas funcionais e geom\u00e9tricas do produto e com certeza \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o que gera um volume significativo de economia na interface projeto e processo.<\/p>\n<p>Os desenhos representam parte das expectativas e necessidades dos clientes. Se a organiza\u00e7\u00e3o desconhece os s\u00edmbolos de GD&amp;T especificadas, como uma organiza\u00e7\u00e3o pode fazer uma proposta, aceitar um pedido, projetar o processo de fabrica\u00e7\u00e3o, manufaturar, inspecionar e entregar?<\/p>\n<p>A Musashi, como fornecedora do segmento automotivo, tamb\u00e9m aplica os conceitos de GD&amp;T em seus processos produtivos, juntamente com as indica\u00e7\u00f5es referidas nas caracter\u00edsticas de desenho dos nossos clientes. Condi\u00e7\u00e3o que nos permite entender a correta aplica\u00e7\u00e3o e funcionalidade do produto fabricado e fornecido. Conseguiu entender a import\u00e2ncia dessa ferramenta e como ela funciona? \u00c9 fundamental estarmos conectados e sempre em busca da excel\u00eancia, juntos vamos mais al\u00e9m!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GD&amp;T, sigla em ingl\u00eas para Dimensionamento Geom\u00e9trico e Toler\u00e2ncia, \u00e9 uma linguagem de desenho que utiliza s\u00edmbolos geom\u00e9tricos para expressar os requisitos funcionais do produto em termos de projeto de pe\u00e7as, ou seja: o chamado desenho geom\u00e9trico \u00e9 um claro desdobramento dos requisitos de aplica\u00e7\u00e3o do produto a partir do projeto. 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